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Um chamado aos conservadores ao estudo



Vivemos em um território que pouco valoriza os estudos e a aprendizagem. Isso, portanto, não é novidade nenhuma para nós. O brasileiro tem a habilidade e a sede de palpitar sobre o que não conhece e o que não estudou. Vemos por exemplo em períodos políticos que muitos surgem como especialistas em ciência política sem sequer ler o necessário.

Não há nada mais consternador do que uma inteligência sem cultura, despreparada, nua e selvagem que se nutre do último vient-de-paraîte e arrota uma sucessão de perguntas cretinas onde a sofisticação pedante do raciocínio se apoia na mais grosseira ignorância dos fundamentos do assunto.[1]

Nós somos extremamente pragmáticos e imediatistas. Queremos o que dá resultado na prática e da forma mais rápida possível. Não damos o devido valor ao conhecimento por si mesmo.  Precisamos ter o amor pelo conhecimento e vermos o seu valor para toda a vida. Os conservadores no Brasil precisam despertar para isso. Precisam sair do vício cultural brasileiro e estudar. O conhecimento correto, salutar e necessário, liberta da mentira e engano.

 A libertação da educação só se dá quando se a direciona, antes de tudo, para o seu propósito real: uma educação que liberte o homem de sua ignorância. [2]

Por isso, há um chamado real e verdadeiro para o estudo, precisamos caminhar muito, não somente por que uma grande parcela da nossa sociedade está apática ao estudo, mas, por que temos muito o que fazer, produzir e mudar. Precisamos construir projetos de mudança, produzir cultura, treinar e capacitar uma nova geração para o crescimento de nosso país. As ideologias estão muito vivas nas faculdades e produção cultural, e precisamos guerrear contra elas, não somente gritando e vociferando de indignação, mas também, produzindo bom conteúdo. E para isso, precisamos estudar e aprender. Precisamos enfrentar a preguiça em nós mesmos, para depois enfrentarmos os males ideológicos em nosso país.
Por Efraim Mesquita                                                                                  




[1] O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, pág 65
[2] A Educação superior e o resgate intelectual: O relatório de Yale de 1828


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